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AMA E FAZE O QUE QUISERES
Uma vez por todas, foi-te dado
somente um breve mandamento: AMA E FAZE O QUE QUISERES. Se
te calas, cala-te movido pelo amor; se falas em tom alto, fala por amor; se
corriges, corrige por amor; se perdoas, perdoa por amor. Tem no fundo do
coração a raiz do amor: dessa raiz não pode sair senão o bem. (Agostinho)

O AMOR É O MEU PESO. PARA QUALQUER PARTE QUE VÁ, É ELE QUEM ME LEVA
O corpo, devido ao peso, tende para o lugar
que lhe é próprio, porque o peso não tende só para abaixo, mas também para o
lugar que lhe é próprio. Assim o fogo encaminha-se para acima, e a pedra para
abaixo. Movem-se segundo o seu peso. Dirigem-se para o lugar que lhes
compete. O azeite derramado sobre a água aflora à superfície; a água vertida
sobre o azeite submerge-se debaixo deste: movem-se segundo o seu peso e
dirigem-se para o lugar que lhes compete. As coisas que não estão no próprio
lugar agitam-se, mas, quando o encontram, ordenam-se e repousam. O amor é o meu peso. Para qualquer
parte que vá, é ele quem me leva. (Agostinho)

ESPINOSA, Etica, III, def. 6

El Parnaso" de Poussin
"Sendo o amor uma alegria acompanhada
da idéia de uma causa exterior e o ódio uma tristeza acompanhada igualmente
da idéia de uma causa exterior, essa alegria e essa tristeza serão, por conseqüência,
espécies de amor e ódio".
ESPINOSA, Etica, III, def. 6

Garcilaso de la Vega (1501-1536)
Soneto XXIII
En tanto que de rosa y azucena
se muestra el color en vuestro gesto,
y que vuestro mirar ardiente, honesto,
enciende al corazón y lo refrena;
y en tanto que el cabello, que en la vena
del oro se escogió, con vuelo presto,
por el hermoso cuello blanco, enhiesto,
el viento mueve, esparce y desordena:
coged de vuestra alegre primavera
el dulce fruto, antes que el tiempo airado
cubra de nieve la hermosa cumbre;
marchitará la rosa el viento helado.
Todo lo mudará la edad ligera
por no hacer mudanza en su costumbre.


“Penso agora em flores, sorrisos, desejo de mulher, e compreendo que
todo o meu horror de morrer está contido em meu ciúme de vida. Sinto ciúme daqueles que virão e para os
quais as flores e o desejo de mulher terão todo o seu sentido de carne e de
sangue. Sou invejoso porque amo demais a vida para não ser egoísta... Quero suportar minha lucidez até o fim e
contemplar minha morte com toda a exuberância de meu ciúme e de meu horror”.
Albert Camus

Albert Camus
“Eu amo a vida,
eis a minha verdadeira fraqueza.
Amo-a tanto, que não tenho
nenhuma imaginação
para o que não for vida.”
Albert
Camus

Albert Camus

"Aqui, compreendo o que se
denomina glória: o direito de amar sem medida. Existe apenas um único amor neste
mundo. Estreitar um corpo de mulher e também reter de encontro a si essa
alegria estranha que desce do céu para o mar."
Albert Camus
Albert Camus

Caminhamos
ao encontro do amor e do desejo. Não buscamos lições, nem a amarga filosofia
que se exige da grandeza. Além do sol, dos beijos e dos perfumes selvagens,
tudo o mais nos parece fútil. Quando a mim, não procuro estar sozinho nesse
lugar. Muitas vezes estive aqui com aqueles que amava, e discernia em seus
traços o claro sorriso que neles tomava a face do amor. Deixo a outros a
ordem e a medida. Domina-me por completo a grande libertinagem da natureza e
do mar.
Albert
Camus

O sexo é daimônico. Este termo, corrente nos estudos
sobre o romantismo, realizados nos últimos 25 anos, vem do grego daimon, que
significa um espírito, de divindade inferior à dos deuses do Olimpio (daí
minha pronúncia"daimônico”). Édipo, expulso, torna-se um daimon em
Colona. A palavra passou a significar a sombra guardiã do homem. O
cristianismo transformou daimônico em demoníaco. Os daimons gregos
não eram maus - ou melhor, eram ao mesmo tempo bons e maus, como a própria
natureza, na qual viviam. O inconsciente de Freud é um domínio daimônico
De dia, somos criaturas sociais, mas à noite mergulhamos no
mundo dos sonhos, onde reina a natureza, onde não existem leis mas apenas
sexo, crueldade e metamorfose. O próprio dia é invadido pela noite daimônica.
De instante a instante, a noite pisca na imaginação, no erotismo, subvertendo
nossas tentativas de virtude e ordem, dando a objetos e pessoas uma aura
misteriosa, que nos é revelada pelos olhos do artista.
(Camille Paglia)


Alameda Francisco
de Aguirre - La Serena - Chile

Santo Agostinho,
"Ainda não
amava, e amava amar; devorado pelo desejo secreto do amor, acusava-me por não
me sentir ainda mais devorado"
Santo Agostinho
"Aún no amaba, y amaba amar; devorado por el
antojo secreto del amor, me acusaba por no sentirme aún más devorado"
San Agustín
Lucrécio, De Rerum Natura

"Enquanto
o objeto que desejamos não está ao nosso lado, parece-nos superior a tudo;
mal é nosso, queremos outro, e nossa sede continua a mesma"
Lucrécio, De Rerum Natura
Angelina Joilie

A beleza não é
somente simetria, mas é a própria aparência que repousa sobre ela. Ela tem o
modo do 'aparecer'. Mas aparecer significa aparecer em algo e, assim,
alcançar o parecimento, por si mesmo, naquilo que recebe sua aparência. A
beleza tem o modo de ser da luz.
Hans-Georg Gadamer, Verdade e Método.

Um poema de Manuel Magallanes Moure
ADORACIÓN
Tus manos presurosas se afanaron e luego,
como un montón de sombra, cayó el traje a tus pies,
y confiadamente, con divino sosiego,
surgió ante mí tu virgen y suave desnudez.
Tu cuerpo fino, elástico, su esbelta gracia erguía.
Eras en la penumbra como una claridad.
En un cálido velo que toda te envolvía,
la inefable dulzura de tu serenidad.
Con el alma en los ojos te contemplé extasiado.
Fui a pronunciar tu nombre y me quedé sin voz...
Y por mi ser entero pasó un temblor sagrado,
como si en tí, desnuda, se me mostrara Dios.
(Manuel Magallanes Moure)

Fragmento da Epopéia de Gigamesh
Gilgamesh, onde vagas tu? A vida que persegues
não acharás. Quando os deuses criaram a humanidade, a morte para a humanidade
apartaram, retendo a vida nas próprias mãos. Tu, Gilgamesh, enche teu ventre,
goza de dia e de noite. Em cada dia celebra uma festa alegre, dia e noite
dança e sê feliz! Que teus vestidos sejam reluzentes, lava tua cabeça,
banha-te em água. Atende ao pequeno que toma tua mão. Que tua mulher se
deleite em teu braço! Pois essa é a tarefa do homem!
Fragmento da
Epopéia de Gigamesh. Texto Sumério de 3.000 A.. C.

"Amor
es la entrega por encantamiento"
"Amor é a entrega por encantamento"
(José Ortega y Gasset, Filósofo español)

De Rerum Natura, Tito Lucrecio Caro)

Hino a Vênus
Engendradora do
romano povo,
Prazer de homens e deuses, alma Vênus:
Embaixo da abóbada do céu,
Por todas
partes olham os astros escorregando,
Fazes povoado o mar, que leva naves,
E as terras frutíferas fecundas;
Por ti todo animal é concebido
E ao lume do sol abre seus olhos;
De ti, deusa, de ti os ventos fogem;
Quando tu chegas, fogem os nublados;
Dá-te suaves flores variada terra;
As planícies do mar contigo riem,
E brilha em longa luz o claro céu.
No ponto que primorosa primavera
A face descobre, e seu fecundo alento
Robustece Favonio desatado,
Primeiro as ligeiras aves cantam
Tuas boas vindas, deusa, porque no ponto
Com o amor seus peitos traspassaste:
No momento por alegres prados
brincam os gados acendidos,
E atravessam a rápida corrente:
Prendidos do feitiço de tuas graças
Morrem todos os seres por seguir-te
Para donde queres, deusa, conduzi-los;
Por último, nos mares e nas serras,
E nos bosques frondosos das aves,
E no meio dos rios extravasados,
E no meio dos campos que verdejam,
O macio amor metendo por seus peitos,
Fazes que as espécies se propaguem.
Pois como sejas tu a soberana
Da natureza, e por ti só
Todos os seres vêem a luz do dia,
E não há sem ti alegria nem beleza.
(Fragmento de: De Rerum Natura, Tito Lucrecio Caro)

Vejam o bebê tomando o peito. E vejam a mãe, dando-o. Ela, é
claro, foi um bebê primeiro: começamos tomando tudo, o que já é uma maneira
de amar. Depois aprendemos a dar, pelo menos um pouco, pelo menos às vezes, o
que é a única maneira de ser fiel até o fim ao amor recebido, ao amor humano,
nunca humano demais, ao amor tão fraco, tão inquieto, tão limitado, e que é
no entanto como que uma imagem do infinito, ao amor de que fomos objeto e que
nos fez sujeitos, ao amor imerecido que nos precede, como uma graça, que nos
gerou, e não criou, ao amor que nos ninou, levou, alimentou, protegeu,
consolou, ao amor que nos acompanha, definitivamente, e que nos falta, e que
nos regozija, e que nos perturba, e que nos ilumina... Se não fossem as mães,
que saberíamos do amor? Se não houvesse amor, que saberíamos de Deus?
Sponville

O amor é uma alegria acompanhada da
idéia de uma causa exterior
ESPINOSA, Etica, III, def. 6


O amor busca com fúria, através do amado, algo que está além deste
e, como não acha, desespera.
Sempre que falamos de amor temos presente na memória o
amor sexual, o amor entre homem e mulher para perpetuar a linhagem humana
sobre a terra. E é isso que faz com que não se consiga reduzir o amor nem ao
puramente intelectivo, nem ao puramente volitivo, deixando o sentimental,
ou, se quiserem, sensitivo dele. Porque o amor não é, no fundo, nem idéia,
nem volição; é, antes, desejo, sentimento; é algo carnal até no espírito.
Graças ao amor, sentimos tudo o que o espírito tem de carne.
Miguel de Unamuno

Se
te agradam os corpos, louva neles a Deus e retribui o teu amor ao divino artista
para não lhe desagradares nas coisas que te agradam.
Santo Agostinho

"Toi
que j`aime, tu ne mourras pas"
(Tú
a quien amo, no morirás)
(Gabriel Marcel, Filósofo Francés)

Don Luis de Gongora y Argote
Don Luis de Gongora y Argote ( 1561-1627)
Soneto 228
Mientras por
competir com tu cabello,
oro bruñido al sol relumbra en vano,
mientras con menos precio em medio el llano
mira tu blanca frente el lilio bello;
mientras
a cada labio, por cogello
siguen más ojos que el clavel temprano,
y mientras triunfa con desdén lozano
del luciente cristal tu gentil cuello,
goza
cuello, cabello, labio y frente,
antes que lo que fue en tu edad dorada
oro, lilio, clavel, cristal luciente.
no sólo em plata o viola troncada
se vuelva, más tú y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra , en nada.

Vladimir Nabokov - Lolita

Lolita, luz de mi vida, fuego de mis entrañas.
Pecado mío, alma mía. Lo-li-ta: la punta de la lengua emprende un viaje de
tres pasos desde el borde del paladar para apoyarse, en el tercero, en el
borde de los dientes. Lo.Li.Ta.
Era Lo, sencillamente Lo, por la mañana, un metro cuarenta y ocho de
estatura con pies descalzos. Era Lola con pantalones. Era Dolly en la
escuela. Era Dolores cuando firmaba. Pero en mis brazos era siempre Lolita.
Vladimir Nabokov
Lolita, luz
de minha vida, fogo de minhas entranhas. Pecado meu, alma minha. Lo-Li-Ta: a
ponta da língua empreende uma viagem de três passos desde o borde do paladar
para apoiar-se, no terceiro, no borde dos dentes: Lo-Li-Ta.
Era Lo, singelamente Lo, pela manhã, um metro quarenta e oito de estatura com
pés descalços. Era Lola com calças. Era Dolly na escola. Era Dolores quando
assinava. Mas em meus braços era sempre Lolita.
Vladimir Nabokov

Charles Baudelaire, Les Fleurs du mal
Charles
Baudelaire, Les Fleurs du mal
XVII. La Beauté
Je
suis belle, ô mortels ! Comme un rêve de pierre,
Et mon sein, où chacun s'est meurtri tour à tour,
Est fait pour inspirer au poète un amour
Éternel et muet ainsi que la matière.
Je trône dans l'azur comme un sphinx incompris ;
J'unis un cœur de neige à la blancheur des cygnes ;
Je hais le mouvement qui déplace les lignes,
Et jamais je ne pleure et jamais je ne ris.
Les poètes, devant mes grandes attitudes,
Que j'ai l'air d'emprunter aux plus fiers monuments,
Consumeront leurs jours en d'austères études ;
Car j'ai, pour fasciner ces dociles amants,
De purs miroirs qui font toutes choses plus belles :
Mes yeux, mes larges yeux aux clartés éternelles !
A Beleza
(Charles Baudelaire)
Eu sou bela, ó mortais! como um sonho de pedra,
E meu seio, onde todos vem buscar a dor,
É feito para ao poeta inspirar esse amor
Mudo e eterno que no ermo da matéria medra.
No azul, qual uma esfinge, eu reino indecifrada;
Conjugo o alvor do cisne a um coração de neve;
Odeio o movimento e a linha que o descreve,
E nunca choro nem jamais sorrio a nada.
Os poetas, diante do meu gesto de eloquência,
Aos das estátutas mais altivas semelhantes,
Terminarão seus dias sob o pó da ciência;
Pois que disponho, para tais dóceis amantes,
De um puro espelho que idealiza a realidade.
O olhar, meu largo olhar de eterna claridade!
Tradução:
Ivan Junqueira

Friedrich Nietzsche, O Nascimento da Tragédia

“Aqui nada há que
lembre ascese, espiritualidade e dever, aqui só nos fala uma opulenta e
triunfante existência, onde tudo o que se faz presente é divinizado, não
importando se seja bom ou mau. E assim, é possível que o observador fique realmente surpreendido ante essa
fantástica exaltação da vida e se pergunte com qual filtro mágico no corpo
puderam tais homens exuberantes desfrutar da vida a ponto de se depararem,
para onde quer que olhassem, com o riso de Helena – a imagem ideal, “pairando
em doce sensualidade”, da própria existência deles”
Friedrich Nietzsche, O
Nascimento da Tragédia, §
3

Uma declaração filosófica de amor
Uma declaração filosófica de
amor? Poderia ser, por exemplo, a seguinte:
Há
o amor segundo Platão: 'Eu te amo, tu me fazes falta, eu te quero.'
Há
o amor segundo Aristóteles ou Spinoza: 'Eu te amo: és a causa da minha
alegria, e isso me regozija.'
Há o amor segundo Simone Weil ou Jankélévitch:
'Eu te amo como a mim mesmo, que não sou nada, ou quase nada, eu te amo como
Deus nos ama, se é que ele existe, eu te amo como qualquer um: ponho minha
força a serviço da tua fraqueza, minha pouca força a serviço da tua imensa
fraqueza...'
Eros, philia,
agapé: o amor que toma, que só sabe gozar
ou sofrer, possuir ou perder; o amor que se regozija e compartilha, que quer
bem a quem nos faz bem; enfim, o amor que aceita e protege, que dá e se
entrega, que nem precisa mais ser amado...
Eu te amo de todas essas maneiras: eu te tomo avidamente, eu
compartilho alegremente tua vida, tua cama, teu amor, eu me dou e me abandono
suavemente... Obrigado por ser o que és, obrigado por existir e por me ajudar
a existir!"
(André Comte-Sponville)

Extractado de La
montaña mágica - Thomas Mann. Novela escrita
entre 1911 e 1923

Oh encantadora belleza orgánica
que no se compone de pintura
ni de piedra
sino de materia viva y corruptible.
¡Mira los hombros y las caderas
y los senos
floridos a ambos lados del pecho
y las costillas alineadas por parejas,
y el ombligo no centro do vientre
y el sexo oscuro entre los muslos!
Déjame sentir la exhalación de
tus poros
y palpar tu bella
imagen humana de agua y albúmina,
destinada a la anatomía perfecta de la tumba,
y déjame morir con
los labios pegados a los tuyos.
Oh encantadora beleza orgânica
que não se compõe de pintura
nem de pedra
senão de matéria viva e corruptível.
¡Olha os ombros e os quadris
e os seios floridos a ambos lados do peito
e as costelas alinhadas por casais,
e o umbigo no médio do ventre
e o sexo escuro entre as coxas!
Deixa-me sentir a exalação de teus poros
e apalpar tua bela imagem humana de água e albumina,
destinada à anatomia perfeita do túmulo,
e deixa-me morrer com os lábios colados aos teus.

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